Fragmento de Diário - 06 de maio de 2025
CARTAS DO INCONSCIENTE - O SONHO COMO LINGUAGEM
Joana Naves
5/31/20251 min read
Fragmento de Diário — 06 de Maio de 2025
Esta noite, sonhei que estava numa casa alheia, familiar e estranha ao mesmo tempo. Como se fosse minha e não fosse. Um desses lugares onde a alma se refugia quando precisa repensar sua bagagem.
Ali, fui organizar minha bolsa de viagem. Mas ao abri-la, só encontrei inutilidades. Objetos sem sentido, coisas que um dia talvez tenham tido serventia ou significado, mas que agora só pesavam. Me vi cansada daquele amontoado de restos. Um cansaço que não era do corpo, era da memória. Um desejo quase febril de esvaziar tudo, de libertar a alma do que não serve mais.
Um velho amigo, ainda preso às engrenagens da rotina, chegou do trabalho. Reconheci nele o que fui. Reconheci nele o que ainda, às vezes, habita em mim: o medo de largar o conhecido, a ilusão de segurança no previsível. Abracei-o com distância. Um toque que não queria mais se misturar.
Então, disse-lhe o que eu precisava ouvir: “Crie coragem. A melhor coisa da vida é atravessar a ponte que a gente teme.”
Talvez eu tenha sonhado comigo mesma. Com os restos que carrego. Com as despedidas que adio. Com a coragem que, no fundo, já mora em mim. É hora de esvaziar a bolsa. De deixar para trás os objetos fantasmas e seguir mais leve.
Porque a vida — a verdadeira — começa quando a gente desocupa os bolsos do passado.
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